domingo, 6 de outubro de 2013

Moinho

Um motor vital faz as águas correrem.

Enquanto uns pensam
que os caminhos se separam,
outros tampouco desconfiam
que eles deixem de andar lado a lado,
afunilando em destinos comuns.

E nessa questão comparativa
somos todos idênticos
em sermos distintos.


                                                           Gabriel Bernardi



sábado, 21 de setembro de 2013

Livro sem nome

Busca qualquer coisa
que mate seu tédio.
Pega da estante
um livro qualquer.

Obra de poesia,
um novo remédio.
Ah! Tudo de novo:
o livro, outro estorvo.

Quem supõe a menina,
se incomoda com o clima
de chuva e distância.

Reconhece incerto
um nome por cima
sem te fazer perto.

 
                                                        Gabriel Bernardi



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Dispar de si

Quanto mais alguém vive de aparências
- ao que parece -,
mais dispar de si
se fica.

A parceria entre eu e si
se dissolve
e em ti
nada mais se envolve.


Gabriel Bernardi



terça-feira, 10 de setembro de 2013

Descanso

Quando o tempo é mais sentado do que sentido e a dor,
bem, a dor adormece.


Gabriel Bernardi



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cela


"Se a porta da cadeia
esteve sempre aberta,
terá sido o medo ou quem sabe
o conforto que não o deixou ir?"
Cogita o carcereiro
sentado em sua cela.


                                                                              Gabriel Bernardi

domingo, 18 de agosto de 2013

A corda

Sou vítima de uma fome
de uma vontade que nasce
cresce e quer me engolir
admito o medo, pois agora
mas só por hora
sinto a prisão de amarras
e por aqui vou desviando
da fome e suas garras

Sinto outro desejo
também daqui de dentro
gêmeo da fome e diferente
querendo seguir em frente
ajudando a desfazer o nó
a mover minhas pernas
e buscar outros ares sem
esse gosto parente do pó

Se um não matar o outro
estou feliz
quem nunca viveu a vida
sem tombo ou cicatriz?


Gabriel Bernardi

sábado, 10 de agosto de 2013

A cada dia chuvoso, uma árvore renasce



os botões de rosa estão florescendo
em árvores que ajudei a regar
mesmo quando não estou por perto
as rosas continuam a brotar

enquanto uma planta cresce
há tanto mais a se admirar
em outras primaveras ou nas
plantas flutuantes do mar
 
cavo mais fundo em meu eu
para plantar e renascer o mundo
jogo as sementes à sorte do breu
esperando por um pouco de tudo

o peito que aperta de vez em quando
e só a chuva é capaz de envolver
noutros momentos quer abrir de vez
e admitir que sempre esteve amando

o problema é que nunca esteve a mando
de ninguém a não ser de seu desejo
como a árvore só verdeja em sua terra
da raiz do seu solo virá seu ensejo


                                                                               Gabriel Bernardi