Outras palavras
"Somos as palavras que contam o que a gente é" - Galeano
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Atemporal mente
o passado tão presente
faz pensar sobre o que há de ser
sobre o futuramente
história do antes
temporal do agora
possível presente para o depois
nesse tempo inexistente
sem caminho de volta ou de ida
fui destinado por mim
a destinar minha vida
Gabriel Bernardi
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Supernova
corpos celestes se aproximam
adivinhando uma supernova no ar
a palavra tensão está prestes a perder o n
minha epiderme pressente a tua
pele nua por sobre a cama
a noite toda é esse quarto
tuas veias se dilatam
minha Via Láctea cruza teu espaço
consumindo o infinito que nos tornamos
gozamos até o último pedaço
Gabriel Bernardi
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Luz fugaz
uma luz que se apaga
no berço de uma vaga
onda nascente do mar
nascente das lágrimas
que não vou derramar
uma luz que voa
filha das filhas da lagoa
uma luz chamada de má
uma luz chamada de boa
uma luz que tira e também dá
uma luz para viver dentro
fazer do meu peito o centro
uma luz que de repente falha
foge na faia em que farfalha
uma luz para morrer logo
eternizada no momento
onde tombamos afogados
e reluzimos em novo alento
Gabriel Bernardi
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Dose de liberdade
Tem nos olhos o mar
na garganta um gole
de absinto na boca
do estômago a chegar
na pele muita roupa
pernas amolecendo
deitada na cama
adormece imóvel
assim está completa
mente em minha mente.
Gabriel Bernardi
sábado, 4 de janeiro de 2014
Sonharte
Sonhar é uma arte:
cores,
formas,
desejos,
viagens até Marte.
Sonhar é uma arte:
não tem utilidade
e sem os sonhos
não haveria
humanidade.
Gabriel Bernardi
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Eros uma vez
Eros uma vez
uma poesia de amor:
Respirava com tanta força,
que inspirando sombras e dores,
mandava transformados no ar,
suspiros de pétalas-flores.
Disse-me numa noite
que se casaria com o luar,
e no todo-sempre
encontrou seu lugar.
Gabriel Bernardi
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Fantasia
quem me dera pesar
irracionais centenas
todo o peso do mar
+ Tróia e + Helena
quilos de sentimentos
numa imensa superfície
moldando minha face
nas múltiplas de Ulisses
quem me dera ser como Alice
então diminuir e ir além da toca
onde o sonho se verbaliza
em derme, em corpo, onde ele toca
Gabriel Bernardi
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