terça-feira, 4 de novembro de 2014

Céu engarrafado II

vivo de perder guarda-chuvas
um bom negócio
ganha-se em chuvas
e não se exigem sócios

Gabriel Bernardi

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Processo vital e Escultura de gelo

descobertas as doenças
das almas não se ouviram notícias
decretada a sentença
de que não houvesse mais carícias

Gabriel Bernardi



.                                                                                                            amor de gelo
.                                                                                                            derrete no verão
.                                                                                                            dois corpos que padecem
.                                                                                                            e derretem pelo chão

.                                                                                                            Gabriel Bernardi

domingo, 12 de outubro de 2014

(E)terna viagem

Teu corpo não mata minha sede,
Tuas curvas não levam a caminhos claros
E teu nariz,
Ah, o teu nariz,
Como me provoca.

Meus músculos reagem,
Meus olhos piscam
E a boca falha em manter o segredo 
Dessa hora guardado 
No fundo da garganta.

É uma viagem louca:
Cansa, mas não se cansa
Quer-se o fim, mas não se quer que acabe,
Mostra-me de súbito o infinito
Durante apenas alguns instantes,
Para se desmanchar em breve
Bruma de uma onda passageira.

E o universo esteve ali
Como um doce mistério.
Busco em tua pele e em teus olhos, 
Noite após noite, 
Por isso que nunca terei realmente.
E é quando vivo de verdade,
E é quando sou também você.


                              Gabriel Bernardi

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ligação perdida

posso ouvir o seu sorriso
do outro lado da linha
enquanto me calo
e meu coração palpita
você pergunta o que foi
sem nunca ouvir resposta

confesso
ao cabo de fibra óptica
nossa ligação foi curta
e se não fosse por tudo
seria ótima


Gabriel Bernardi

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Manhã do café

a xícara de café fumega
vapor que narra histórias
onde a fria realidade nega

meus olhos afundam
imergindo em água negra
perdidos em memórias
são o brilho dessa manhã de treva

                           Gabriel Bernardi



segunda-feira, 28 de julho de 2014

Do tempo

A quem cabe o depois?
A você
a mim
a nós dois?
A quem cabe,
se nosso tempo não cabe
no presente do hoje
no ontem do amanhã?

A nossa hora mais lenta,
o nosso dia mais rápido.
O tempo é isso:
isso que nós criamos
o tempo todo.


           Gabriel Bernardi

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Banho frio

dentro dessa tarde
o corpo treme frio
a água do chuveiro
sem você é arrepio

Gabriel Bernardi