quarta-feira, 12 de junho de 2013

Céu engarrafado

NU VEM a água:
GUARDA-se em CHUVA
e VEM TOda cinza
transPARECER o solo.

Mal começava a verter o líquido celeste,
e já o vento tirava de mim um guarda-chuva a bailar,
fazendo-o parecer nuvem negra flutuando no caos.


                                                                                 Gabriel Bernardi



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Verde vida

Nasceu como uma laranja de umbigo
E partiu como uma laranja do céu

Criou-se em meio à natureza
Tendo as folhas como véu
E sem apreciar certezas
Fez da vida um dossel.


Gabriel Bernardi



domingo, 5 de maio de 2013

Meio desligado

A pressão da prensa que
nos apressa, via de regra,
a imprensa alegra.

O custo subversivo do susto
não percebido ao vivo
mas a cores subconscientes
cobra a fixação humana
no televisor de tela plana.

A parte do fato
dado como obra inteira:
eis a arte de usar os dados
por pura conveniência,
dada nossa atitude de
completa complacência.

Um ato e uma virtude:
a atitude da vida asceta,
mover-se e comover-se,
abster-se dos grilhões
das culpas e dos perdões.

Livre será toda grande verdade
que a ninguém mais servirá:
brota a vontade de questionar.


Gabriel Bernardi

terça-feira, 23 de abril de 2013

Trinômio

A solidão pode torná-lo um bastião frente aos outros; dois nunca são iguais, mas, em sincronia, são como pernas a locomover um corpo ao seu Norte; três formam um tripé, e, como um bom tripé, o equilíbrio só é atingido se todas as partes se comunicam num mesmo ponto.


Gabriel Bernardi




sexta-feira, 12 de abril de 2013

Autoria

Vi que faltava um ponto, mas não quis dar bola.
Não sei se a desatenção o alimentou, mas este
sinal que fugiu do meio do meu texto
quis atrapalhar todo o transcorrer do enredo.

Um pobre ponto, no final das contas.
O que seria dele se não fossem as palavras?
Sua ausência se faz presente sem que a escrita
deixe de existir. Além disso, eu sou o autor aqui.


                                               Gabriel Bernardi